segunda-feira, 8 de junho de 2026

DEUS É SANTO MAS OUVE A ORAÇÃO DOS PECADORES

DEUS É SANTO MAS OUVE A ORAÇÃO DOS PECADORES

A - Deus ouve as orações dos pecadores, João capítulo 9.31 assegura que “a esse Ele ouve”. Um cego de nascença declara em João 9:31: “Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas, se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, a esse Deus ouve”. Muitos versículos nas Escrituras indicam que Deus não ouve a oração de um pecador da mesma forma que ouve a oração de um crente. 
B - “Ouvir” é outra forma de dizer, de “escutar e de responder favoravelmente”. Existem algumas passagens nas Escrituras que mostram Deus ouvindo e respondendo à oração de um pecador. O objetivo deste texto é examinar com mais detalhes alguns exemplos bíblicos que corroboram com cada um desses pontos de vista. 
C - O primeiro ponto é que existem muitos versículos nas Escrituras que indicam que Deus não ouve a oração de um pecador da mesma forma que ouve a oração de um crente. Diversas passagens podem ser citadas para ilustrar isso: O Salmo 66:18 diz: Se eu tivesse acalentado a iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouviria. Em Isaías 1:15 diz: Quando estenderes as tuas mãos, esconderei de ti os meus olhos; ainda que multiplica as tuas orações, não as ouvirei, porque as tuas mãos estão cheias de sangue. 
1 - Em Isaías 59:1-2 está escrito: Eis que a mão do Senhor não está encurtada, para que não possa salvar; nem o seu som agravado, para que não possa ouvir. 2 Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o vosso rosto de vós, para que não vos ouçam. Em Provérbios 21:13 diz: Quem fecha os ouvidos ao clamor do pobre, também ele clamará e não será atendido. Em Provérbios 28:9 está escrito: Se alguém recusar ouvir a lei, até a sua oração será abominável. Tiago 1:6-7 ensina: Mas peça com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é impelida e agitada pelo vento. 7 Não pense tal pessoa que receberá alguma coisa do Senhor. 
2 - É inegavelmente difícil determinar, em algumas dessas passagens, se aquele que peca e cujas orações não são ouvidas é genuinamente um crente ou não. O que é claro é que o pecado prejudica a eficácia da nossa vida de oração. Ou, em termos opostos, a justiça pode aumentar a eficácia da nossa vida de oração, (Tiago 5:16). Todas essas passagens (assim como muitas outras na Bíblia) ilustram o efeito que o pecado tem sobre a eficácia da oração. Se o pecado é acalentado no coração de alguém, Deus não ouvirá a oração (Salmo 66:18). A violência do povo faz com que Deus não ouça o pecador, em Isaías 1:14 ressalta que não é que Deus não possa salvar ou ouvir, mas esse pecado cria uma separação entre o pecador e Deus. 
3 - Tiago diz que duvidar da capacidade de Deus de responder à oração também impede uma pessoa de receber uma resposta de Deus. As duas passagens de Provérbios ilustram algo semelhante. Ambas envolvem "fechar" ou "desviar" o ouvido (isto é, não ouvir): uma ignorando os pobres, a outra ignorando a Palavra de Deus. O efeito é que Deus não ouve uma oração dessa forma. Ajudar os pobres é um mandamento das Escrituras; portanto, as duas passagens estão, na verdade, abordando a mesma coisa: se você ignorar a Deus, Ele o ignorará. Assim, fica claro que, em certo sentido, Deus responde às orações dos justos com muito mais eficácia do que as orações dos pecadores. 
 4 - Mas esse ponto deve ser equilibrado com o terceiro: há passagens nas Escrituras que mostram Deus respondendo à oração de um pecador. Já mencionei várias vezes em minhas postagens a passagem de Cornélio em Atos 10. Lá, vemos que Cornélio era um homem devoto, temente a Deus, que orava regularmente. Mas é preciso enfatizar que Cornélio ainda não tinha ouvido o Evangelho. Ele não foi salvo antes de ouvir a pregação do evangelho através de Pedro. Deus respondeu às suas orações enviando Pedro até ele, que então compartilha o Evangelho. Se Deus não ouviu o pecador em um sentido absoluto, como seria possível que as orações de Cornélio fossem atendidas?
5 - Em 1 Reis 21, Elias encontra o ímpio rei Acabe para lhe dizer que uma calamidade estava prestes a atingi-lo, não somente ele mas a mensagem era pra ele e toda a sua família, todos da sua casa, exterminando completamente a linhagem real, (21:17-24). Acabe responde com humildade, luto e jejum (o que implica oração), ao que o Senhor responde perdoando a calamidade iminente sobre a família de Acabe, mesmo ele sendo um rei idólatra e que não dava ouvidos ao que os homens de Deus falava com ele. Certamente ninguém descreveu Acabe como um personagem piedoso, e há muitas evidências, mesmo no capítulo seguinte, de que Acabe está longe de ser um verdadeiro adorador. Contudo, Deus ouviu e respondeu às suas orações feitas num momento de sinceridade e de humildade. 
6 - Jonas 3 conta a história dos ímpios ninivitas. Jonas profetizou desastre sobre eles, mas quando clamaram a Deus, Ele se arrependeu e não os destruiu. Este poderia ser o caso de um grupo de pessoas que alcança a salvação, mas de qualquer forma a questão é a mesma: Deus ouve as orações dos pecadores e responde. Alguns dizem que Deus não ouve a oração do pecador até que haja arrependimento. Isso parece se encaixar com os exemplos acima, com exceção de Cornélio que a Bíblia diz que era um homem justo e que temia ao Senhor. 
7 - Como Deus só responde às orações de acordo com a Sua vontade (João 14:13, 1 João 5:14-15), pensamos dizer que Ele respondeu às orações de Cornélio porque Deus desejava que Cornélio alcançasse a salvação. Devemos também observar que muitas das passagens acima indicam que o pecado impede a eficácia da oração, mesmo para os crentes. Em vez de dizer: “Deus não ouve as orações dos incrédulos”, deveríamos dizer: “Deus não responde afirmativamente às orações que estão fora da Sua vontade”. Isso se aplica tanto a crentes quanto a incrédulos, assim como a declaração do cego em João 9:31. 
8 - Nesse contexto, o cego está argumentando que Jesus não poderia ter usado o poder de Deus para curá-lo se fosse um pecador. Em outras palavras, se Jesus não estivesse envolvido de acordo com a vontade de Deus, Deus Pai não teria respondido à oração de Jesus para curar o homem. 
9 - No mínimo esta breve palavra nos encoraja a examinar nossos corações e a nos aproximar de Deus com as mãos limpas, com um espírito puro e reto diante de Deus. Quanto mais justas forem nossas petições, mais eficazes serão nossas orações, pois serão em conformidade com a vontade Deus.
10 - A mensagem de que Deus nunca deixa um pecador arrependido sem respostas reflete o pilar de muitas tradições de fé, baseadas no princípio do acolhimento e da reconciliação, Jesus acolhe em seus braços o pecador arrependido. Encontramos essa visão em passagens bíblicas, como nas reflexões teológicas que destacam a importância de um coração humilde e contrito, como na parábola do filho pródigo. A Parábola do Filho Pródigo é uma das histórias mais famosas de Jesus, registrada no evangelho de Lucas 15:11-32. Ela ilustra o amor incondicional de Deus, o perdão e o poder do arrependimento. 
11 - A História do filho pródigo se resume em quatro partes da seguinte forma: (1) A partida do filho mais novo. O filho mais novo pede sua parte da herança antecipadamente e parte para uma terra distante. Lá, ele desperdiça toda a sua riqueza gastando tudo em coisas desnecessárias. O nome "pródigo" significa gastador, extravagante em uma vida de excessos, exageros, ele fez um mal muito grande para si mesmo, praticamente jogando tudo pelos ares. (2) A Crise financeira chegou. Agora o gastador e esbanjador ficou sem dinheiro e enfrentando uma grande fome na região, ele aceita o trabalho humilhante de ser um tratador ou alimentador de porcos. Com fome, ele decide retornar à casa do Pai, disposto a pedir para ser tratado apenas como um empregado; ele decidiu que iria pedir ao Pai para recebê-lo de volta e tratá-lo como um de seus jornaleiros. (3) O retorno foi difícil mas ele sabia que ao chegar e pedir perdão o pai o acolheria. E antes mesmo de o filho chegar, o Pai o avista de longe, corre ao seu encontro, o abraça e o beija. Ele é perdoado incondicionalmente e recebe vestes novas, um anel e sandálias, símbolos de sua identidade restaurada. (4) A festa pela volta do filho perdido causou inveja e estranheza do filho mais velho, mas o Pai tão alegre ficou e ordenou uma grande festa para celebrar a volta de quem "estava morto e reviveu", estava perdido e foi achado”. O filho mais velho, que sempre trabalhou obedientemente no campo, fica furioso com a celebração. O pai o lembra de que tudo o que ele tem também pertence ao mais velho, mas que o retorno do irmão caçula era motivo de alegria.  
12 – A demonstração do grande e incomparável amor incondicional do Pai (Deus), foi o foco principal da parábola que é a figura do Pai complacente e amoroso com o filho que O havia abandonado. Esta parte representa o valor do amor e da graça de Deus para com os perdidos pecadores que precisam voltar para a casa do Pai. Ele não exige explicações; em vez disso, corre para abraçar o filho arrependido. Deus dá valor ao nosso arrependimento, Deus ouve o mais perdido pecador que clamar por Ele. Isso mostra que não importa quão longe alguém tenha ido em sua jornada de perdição e se desviado da casa do Pai. O retorno à presença de Deus sempre é recebido com alegria e celebração. 
13 - A nossa auto justificação desagrada a Deus, porém não deixamos de ser considerados filhos de Deus. O irmão mais velho representa aqueles que julgam os outros. Ele demonstra ressentimento em vez de compaixão, lembrando que a auto justificação pode cegar o coração para a graça de Deus. O arrependimento verdadeiro é amplamente visto como um caminho de reaproximação em que a pessoa é recebida de braços abertos. 
14 - O arrependimento do pecador é a causa de grande alegria e de festa no céu por uma alma salva. Há festa no céu quando um pecador arrependido volta para a casa do Pai. Deus ouve o clamor de quem o busca pedindo socorro. A oração sincera nos momentos de dor, angústia ou medo não é ignorada, e buscar a Ele é um caminho seguro para encontrar refúgio e direção. A Bíblia está repleta de passagens que confirmam essa verdade. (1) Salmos 102:1-2: “SENHOR, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor. Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa. (2) Salmos 116:1-2: “Amo o SENHOR, porque ele ouve a minha voz e as minhas orações. Porque ele se inclina para ouvir, orarei enquanto viver. (3) Ele conhece profundamente o seu interior, acolhe as suas lágrimas silenciosas e atende no momento e da maneira que trazem o melhor para a sua vida porque você volta a viver. 
15 - Se você estiver passando por um momento difícil agora, pode clamar a Deus que Ele te ouve, Ele ouve o perdido, Ele ouve o necessitado, o Salmo 112 diz que Deus levanta o caído, Deus levanta o abandonado e lhe coloca num lugar de honra. O monturo, espiritualmente, significa o mundo de pecado, o mundo de perdição. Devemos ler exemplos de orações e palavras de conforto através do Salmos 102 ou buscar alento no Salmos 86. 
16 – Em Apocalipse 22.14 diz: “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras, no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”. Então Jesus veio para salvar os pecadores e essa é uma das verdades mais fundamentais da fé cristã. Jesus veio ao mundo exatamente para resgatar aqueles que estão espiritualmente perdidos e necessitam de cura, de libertação, de perdão. A mensagem central da missão de Jesus pode ser encontrada em alguns pilares da Bíblia e são conhecidos. (1) Jesus é o propósito central de Deus para a humanidade. Como está escrito em 1 Timóteo 1:15, “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”. (2) Jesus é o médico da alma, Ele cura as feridas interiores. Ele mesmo afirmou que não veio para chamar os justos, mas sim os pecadores, comparando-se a um médico que veio para curar os doentes. (3) Jesus perdoa e nos enche da Sua infinita graça. A salvação não é uma conquista humana, mas um ato de misericórdia de Deus para perdoar os pecadores e oferecer vida nova aos perdidos que, se convertem, e voltam para a casa do Pai. 
17 – A parábola do filho pródigo nos mostra que Deus é justo e Santo mas está sempre à disposição para ouvir a oração de um pecador arrependido. Deus olha é para o coração quebrantado dos verdadeiros adoradores que O adoram em espírito e em verdade. 

Deus abençoe você e sua família. 

Pr. Waldir Pedro de Souza 
Bacharel em Teologia, Pastor e Escritor.